sábado, 27 de novembro de 2010

Manejo da Criança na Clínica Odontológica


Qualquer que seja o tipo de criança a ser atendida, o profissional deve observar não apenas a idade cronológica, mas principalmente o nível de desenvolvimento mental e emocional, a fim de reconhecer suas necessidades psicológicas básicas e os seus interesses, capacitando-se para interpretar corretamente as reações e ter noção dos fatores capazes de desencadeá-las, bem como dos meios mais adequados para motivar a criança, conquistar sua confiança e transmitir-lhe segurança. (Dezan, C. C.Punhagui, M. F, 2002)
A visita a um consultório pode causar "stress" emocional em crianças e adultos, sendo mais acentuado na primeira vez pelo medo natural do desconhecido ou situações desagradáveis anteriormente vividas. (Dezan, C. C.Punhagui, M. F, 2002)
O profissional que atenderá crianças deve possuir as seguintes qualidades:
·                         Ter personalidade firme e respeitar a criança;
·                         Ter autocontrole, ser calmo, paciente, sincero, bem humorado, bom observador e amigo das crianças;
·                        Possuir conhecimentos técnicos especializados e habilidade manual;
                         Gostar de crianças e possuir conhecimentos básicos de psicologia infantil aplicada à odontopediatria;
REGRAS GERAIS PARA O MANEJO ADEQUADO 
Linguagem adequada: linguagem simples, compatível com a díade da criança.      
         Ser direto: dar ordens positivas, diretas, ao invés de oportunidade de escolha
         Reconhecer o tipo de paciente: cooperativo; falta de capacidade cooperativa (pacientes com incapacidade mental ou física, pacientes com pouca idade); potencialmente não cooperativos (comportamento: envergonhado, tenso, choramingão, indiferente, histérico, rebelde ou teimoso)          
        Reconhecer o tipo de choro: choro obstinado, choro por medo, choro por dor, choro compensatório.
        Atitudes que devem ser evitadas: ameaças, táticas enganatórias, chantagem, ridicularizar
        Quanto ao consultório: sala de espera deve ser orientada aos interesses da criança, com livros, jogos educativos e brinquedos. Familiarizar a criança com o consultório antes do tratamento dentário a través da técnica dizer-mostrar-fazer.
 Consultas: o objetivo da primeira consulta é a familiarização e a aquisição da confiança da criança. Realizamos primeiramente os procedimentos básicos, como por exemplo a profilaxia, aplicação de flúor, selantes. Deve-se sempre partir dos procedimentos mais simples para os mais complexos. Posteriormente, seguem-se a anestesia e procedimentos restauradores e cirúrgicos. As consultas devem ser breves, limitadas a 30 minutos até uma hora no máximo, além disso o paciente se torna estressado, perdendo a cooperação.
Técnicas de controle comportamental
·         Dizer-mostrar-fazer: Serve para conscientizar a criança com relação aos elementos do consultório e fazer associações mais positivas com os elementos odontológicos. Deve ser utilizada em crianças que já possuam uma maior capacidade de compreensão e colaboração (maior que 2 anos de idade). Deve-se apresentar a cadeira odontológica, a luz, a seringa da água e ar, sendo que o treinamento com a água e o sugador e a explicação de são de suam importância para sua familiarização.Fazer apresentação gradativa dos instrumentais: espelho, pinça, explorador, explicando em termos figurados para que servem.Permitir que a criança manuseie os instrumentais e que participe do tratamento.

·         Técnica da distração: o dentista pode utilizar projeção de filmes, contar estórias e até cantar com o intuito de desviar a atenção do procedimento que está sendo executado.
·         Técnica do relaxamento: consiste em colocar o paciente em estado relaxado, respirando lenta e profundamente, e com a gradual exposição aos estímulos odontológicos causadores de medo e ansiendade. Tem o objetivo de dessensibilizar o paciente, minimizando o desconforto emocional ante o estímulo ansiogênico.
·         Reforço positivo: pode ser verbal ou social, isto é um elogio ou um abraço no final da sessão, ou até mesmo com o concessão de um pequeno brinde à criança, quando o dentista consegue realizar o objetivo previamente estabelecido.
·         Uso de modelos: consiste em usar uma criança com comportamento exemplar durante o tratamento, como modelo a ser observado por outra criança. O paciente observador irá imitar o comportamento do paciente modelo.
·         Contenção Física: deve ser segura, com tempo limitado e não punitiva. O objetivo é o conforto da criança, e é especialmente útil para àquelas com movimentos involuntários. Pode ser feita com dispositivos pré-fabricados (cadeira macri, dispositivo de Godoy, Pedi-Board e Pedi -Wrap) ou com a ajuda dos pais e auxiliares odontológicos.
·         Técnica da “mão sobre a boca”: técnica que tem sido cada vez menos recomendada. Existem evidências de que esta técnica cause um trauma na criança, pois a mesma pode não entender e vivenciar o fato e considerá-lo como uma agressão, ficando traumatizada. Consiste em amordaçar com a mão a boca da criança durante o choro e falar baixinho e calmamente ao ouvido, tentando acalmá-la. Alguns autores ainda preconizam que caso a criança não cesse o choro, as vias aéreas deveriam ser restringidas.

Visto que cada ser humano é único, com suas peculiaridades, desejos e emoções, não há uma receita de bolo. O que foi apresentado aqui, de forma bem sucinta, servirá como um norteador para um bom atendimento, não uma garantia.  O cirurgião dentista deverá ter além de habilidade técnica e conhecimento teórico, deverá ter sensibilidade e bom senso para o sucesso do tratamento.

                                                                                                                                                                                               
Referências Bibliográficas:

- DEZAN, C. C; PUNHAGUI, M. F. Manejo da criança no consultório odontológico. Revista AONP, Londrina, n.11, jun –jul. 2002.
- DEZAN, C. C; PUNHAGUI, M. F. Manejo da criança no consultório odontológico. Revista AONP, Londrina, n.12, ago-dez 2002
- ISSÁO, M; GUEDES-PINTO, A.C. Manual de odontopediatria, São Paulo: Pancast editora, 1994. p.34-43.
- MUGAYAR, L.R.F. Pacientes portadores de necessidades especiais: manual de odontologia e saúde oral, São Paulo: Pancast editora, 2000. P.207-213
- TOLEDO, O.A.Odontopediatria:fundamentos para a prática clínica, São Paulo: Editorial Premier, 2005. p.51-72
Caros alunos do 8º período, comentem quais foram as suas experiências (dificuldades e êxitos) no atendimento de crianças na clínica odontopediátrica neste ano de 2010, diga quais técnicas de manejo comportamental você utilizou.

                                             http://www.aonp.org.br/fso/revista11/rev1110.htm
                                             http://www.aonp.org.br/fso/revista12/rev1214.htm
                                           
Links relacionados à matéria:  http://www.youtube.com/watch?v=LT_tSDL3T54&feature=related

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